segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Después de la siesta


Já são dois meses de Espanha. E o país, minha porta de entrada na europa me encanta, para usar a expressão que ''mais me encanta'' em Espanhol. Mas, de fato, as estatísticas que lemos nos jornais ganham vida quando as vemos de perto. A primeira delas é o tão falado desemprego espanhol, de cerca de 20%. Para sentir esse dado, basta ir a um restaurante em qualquer cidade da Espanha. Há geralmente duas pessoas para te atender. É um verdadeiro exercício de paciência, de deixar até mesmo os cariocas com saudade dos garçons no Rio. Os paulistas, então, devem se descabelar. O mesmo se repete nas lojas. Em conseqüência disso, a idade média hoje para um espanhol sair das casa dos pais é de... 38 anos. En sério.

Mas convenhamos, e que eles não nos ouçam, é um povo que não é lá muito chegado a trabalhar, fato confirmado pelos próprios espanhóis menos orgulhosos. Não dá para acreditar que, em pleno século XXI, um país inteiro se dê ao luxo de dormir duas horas depois do almoço. Nada funciona. Nem bancos, lojas, serviços. Domingo, dia que há mais turistas nas ruas, não há sombra de trabalhadores. Ou melhor, uma coisa funciona: os chineses, o que dá força às teorias conspiratórias de dominação do mundo às escondidas. Esse é outro fato curioso e que impressiona os marinheiros de primeira viagem. Como, creio, em nenhum outro país europeu, a Espanha está cheia de chineses. Restaurantes, lojas, universidades... Seriam dois os motivos principais. O primeiro é que se aproveitando da crise do país, os chineses vieram, e compraram lojas, restaurantes e mercados em geral. A outra é que a Espanha é o país europeu que mais benefícios dá aos imigrantes. Não pagam impostos no primeiro ano, e com isso, a cada ano os chineses mudam o nome do proprietário e continuam sem pagá-los.

O que, conhecendo um pouco a Espanha em geral, dá para acreditar que não deve ser muito difícil de fazer. Os espanhóis, e talvez possamos expandir para os latinos em geral, têm um jeitinho para tudo. O próprio idioma denuncia: há a expressão ‘’La picaresca española’’, que define o fato de sempre arrumarem uma maneira de conseguir as coisas, por meios não muito convencionais. O que aos brasileiros não nos é difícil entender.

Mas os espanhóis também têm suas várias virtudes. Além da Saúde, que graças a Deus ainda não precisei experimentar mas até os alemães elogiam, um serviço que talvez não haja igual em outro lugar do mundo é o Turismo. Em qualquer cidade, há sempre balcões de informação, placas, free tour, city bus. Parece que para entrar na Comunidade Europeia em 1986, a Espanha fez um acordo em que abdicaria das indústrias e seria o país turístico da europa. Alguns espanhóis também culpam esse acordo pela crise atual, pois não produzem mais quase nada. Se é verdade eu não sei, mas quanto ao Turismo, definitivamente, funcionou muitíssimo bem. E é um povo que me parece também gostar de ser cosmopolita, ao contrário dos parisienses, por exemplo. Ou, além de gosto, talvez seja um questão de necessidade mesmo.


Dita as questões sócio-políticas, os espanhóis são muito parecido com nosotros. Alegres, gostam de beber e são absolutamente loucos por futebol. Definitivamente, não são tão eficientes como os americanos, alemães e chinenes para construir um país, mas, honestamente, pelo menos para um estudante/turista como eu, funciona (não no sentido literal) muito melhor. Pra quem já é chegado a uma siesta então...

domingo, 21 de novembro de 2010

Je ne parle français




A chegada a Paris já mostra por que os noticiários sobre a França ultimamente só falam sobre as medidas anti-imigração. O número de não parisienses, leia-se, brancos, com blazers e echarpes pretos, vivendo ali impressiona já na ida do aeroporto ao Centro. Negros e árabes, principalmente, habitam, mas não coabitam com os parisienses. Se no tão criticado Estados Unidos, as diferenças se unem e ajudam a formar o país, na França não. Bem, aqui é importante registrar que essas afirmações taxativas são de alguém que não fala francês e teve uma percepção apenas visual.


Por isso, fico na dúvida se as bandeiras francesas, representação mais explícita de seu nacionalismo, que estão por toda parte em Paris, querem também incluir os africanos e árabes. Ou se ainda é a bandeira que empunhavam Luis XIV e Napoleão, de quem os franceses sentem tanta saudade. A minha impressão é que a França ainda não aceitou o fato de que não é mais império. Mas assim como eles, a Espanha já foi império, Portugal, Grécia e Roma, entre outros, também já o foram. Portanto, por que custa tanto entender que o mundo gira, não só em torno do sol? Por que é tão difícil aceitar que, sim, é necessário falar Inglês, assim como em breve será necessário falar mandarim? É inconcebível para mim, por exemplo, que em várias partes do Louvre, como a sobre a história do próprio museu, não haja tradução para outra língua.

E esse passado expansionista que eles tanto veneram e que fica bem bonito nas paredes dos museus só é contado do ponto de vista do vencedor, claro. O que os quadros não mostram é o sangue e as mortes do ''outro lado''. Este mesmo que, graças (não sei se é a palavra que utilizariam) a seus reis e imperadores hoje também fala francês.



Nelson Rodrigues dizia que o fla-flu começou 15 minutos antes do nada. A impressão que eu tive de Paris, é que, assim como esse clássico carioca meio sem graça, ela sempre esteve ali, imponente, emocionando a quem a conhece pela primeira vez. E não chega a ser um exagero. A construção do Louvre e de Notredame datam de 1100. Muito antes de termos nascido. Conversando com uma americana, ela me deu a frase que mais me pareceu simbólica sobre a diferença entre os dois países: ``A França olha pro passado, enquanto os Estados Unidos olham pro futuro``. Sem dar qualquer juízo de valor, vale fazer a ressalva de que os Estados Unidos, assim como nós, não tem um Louvre para visitar. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O palhaço não sou eu




Não é Dilma ou Lula o nome dessas eleições. O palhaço Tiririca é o símbolo não só deste pleito, mas reflexo do Brasil atual. O que também é impossível de desassociar dos dois.
Quando pensamos que o país finalmente “decola”, como estampou a The Economist na capa em edição recente, nos deparamos com um palhaço semi-analfabeto ou analfabeto (o TSE dirá) como deputado federal mais votado do país, logo em seu estado mais sério.
Eu não consigo achar graça. Pelo contrário, o meu sentimento tem muito mais a ver com tristeza e vergonha do que com alegria.
Apesar dos avanços econômicos e sociais dos últimos 16 anos, no aspecto político permanecemos estagnados ou talvez tenhamos até regredido.
Se a consciência política está diretamente ligada à Educação, o Tiririca e seus um milhão de eleitores são o sintoma de que ainda devemos muito neste ponto. Claro que não serão em oito ou dezesseis anos que mudaremos a situação da Educação no Brasil, defasada por raízes históricas, mas os esforços foram bem tímidos principalmente durante o Governo Lula, quando tínhamos muito mais condições para incrementá-la.
O voto no Tiririca, no entanto, não é só o dos mau informados. Há o voto por protesto. Mas a esse eu prefiro nem me deter. O slogan “Você sabe o que um deputado faz? Nem eu.” é a afirmação direta ao eleitor de sua ignorância. Se você não sabe o que um deputado faz, a culpa é sua. Mas não. Aqui encontramos mais um aspecto bem brasileiro: todos somos vítimas, não é vira-latas?
Eu até tentei buscar uma relação do Tiririca com o Macunaíma, o herói malandro, mas nem isso eu consigo ver no palhaço. O voto nele não é uma busca de um caminho - ainda que controverso -, é o voto da resignação, da desistência. Mas eu ainda sou muito novo (e turrão) para desistir de alguma coisa. E você?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma ode à Psicanálise

A Psicanálise é a mais fascinante das ciências humanas. Na minha visão, claro. Estudar o comportamento humano, o indivíduo e todas suas características e peculiaridades deve ser muito prazeroso e intrigante.
Meu interesse por Psicologia começou com uma matéria chamada "Psicologia e Comunicação", na PUC. Os textos introdutórios de Freud sobre ego, ide e superego me despertaram uma curiosidade sobre o tema. Aliado a isso, algumas angústias acumuladas aos 20 anos, me levaram à terapia, de onde saí e voltei algumas vezes. Mas não quero compartilhar e (nem devo) minhas experiências no divã.
Esse é um dos aspectos que também me intrigam na Psicanálise: o mistério. Por ser uma experiência individual, ninguém compartilha o que trata na análise e até hoje algumas pessoas omitem que a fazem. A pessoa que sai do consultório e esbarra com você esperando, se sente um pouco constrangida.
O próprio ato psicanalítico em si é um tanto enigmático. A terapeuta não pode ter nenhuma relação com sua família ou relacionamento amoroso, e você também não pode saber muito da vida dela.
Mas o que mais me intriga na Psicologia é a ignorância que até hoje se tem em relação ao assunto. Ignorância na acepção do termo. O que eu conheço de pessoas as quais recomendo análise, refutando com argumentos do tipo: “não, meus problemas eu resolvo com bebida e com amigos”; “dos meus problemas resolvo eu”.
Não, camarada, seu amigo não estudou oito anos o comportamento humano para saber como tratar destas questões. Nem você. Nem a cachaça.
Como diz Freud, (me corrijam, psicólogos, se eu estiver errado) para se chegar à autoanálise, primeiro você deve passar por esse processo psicanalítico, com outra pessoa, um especialista, claro.
Também, acredito que uma dificuldade que as pessoas têm com a Psicanálise é a falta de retorno imediato e concreto. Ao contrário de um remédio que você toma e para de espirrar, na Psicanálise a resposta não é tão palpável. E demora. Do contrário, se chamaria Psicossíntese.
Assim como a Sociologia, a Filosofia, a Filologia, a Psicologia, como o nome diz, é um estudo. Dos mais importantes. Vou além. A Psicologia é uma ciência importante para a Sociedade em outros aspectos, como a manutenção da paz, por exemplo.
Desconstruindo a abstração de pertencimento a um grupo ou a um território diminuiria-se as lutas por terra ou por etnias. Ou num caso mais próximo, a insegurança dos pitboys seria tratada num consultório, não numa boate. Mas estas distantes e vagas interpretações ficam para a próxima sessão.
Negar a Psicologia é negar - ou para fecharmos com a palavra mais apropriada - ignorar o conhecimento.

sábado, 4 de setembro de 2010

A demodé simplicidade

Finalmente, assisti a ''Apenas o Fim", filme tido como o ''expoente de nossa geração'', pelo menos no que diz respeito a relacionamentos. Gostei bastante, mas como já se passou um bom tempo de seu lançamento, não cabe aqui fazer-lhe uma resenha. O que mais me chamou a atenção no filme (além da Erika Mader, claro) foi a simplicidade, característica e palavra que estão cada vez mais demodé, como amar o próximo. Em épocas de banda emo, com calças coloridas e gel no cabelo, o banquinho e o violão devem estar pra lá de empoeirados.

A minha bandeira pela simplicidade, para ser franco, também tem um aspecto pessoal. Eu não tenho tatuagem e tenho uma certa predileção por camisas lisas, por exemplo. A peça de roupa mais ''unusual'' que eu usei e uso até hoje é minha sandália Birck. Na faculdade, era para tirar uma onda de alternativo. Hoje, é porque eu acho que chinelo suja muito os pés.

Aqui eu poderia discorrer que estamos vivendo na era da imagem, do marketing, do consumo em excesso, mas esse papo me dá muita preguiça.

A simplicidade, ao contrário do que se imagina, vem de muito rebuscamento. Isso, claro, para os que a tem como escolha, não como opção única, como nos atestam Nelson Rodrigues, Machado de Assis e Gilberto Freyre, entre outros. Afinal, foi necessária toda a erudição do poeta para chegar à frase ''eu quero a sorte de um amor tranquilo''.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lendo, dançando e twittando em Teerã





Ultimamente, o Irã tem batido ponto quase diário nos cadernos internacionais. Fraude nas eleições, bomba atômica, ameaça de morte a pedradas... A lista de atrocidades e insanidades é extensa.

Talvez por isso, quando passei a atentar mais para as questões além do Oiapoque ao Chuí, me interessei pela História do país, antiga Pérsia.

Atualmente, estou lendo o livro “Lendo Lolita em Teerã”, de Azar Nafisi, de quem assisti palestra na última FLIP. Azar era professora de Literatura Inglesa na Universidade de Teerã, no início da Revolução Islâmica em 1979. Inconformada com as restrições impostas pelos aiatolás aos livros estrangeiros, e a outros aspectos mais pessoais e íntimos, como o tamanho da unha das mulheres, ela convida sete de suas alunas para discutir Literatura em sua casa.

Um dos livros debatidos é "Lolita", do escritor russo Vladimir Nabokov, em que o protagonista, um professor de poesia francesa, se apaixona por sua enteada de doze anos, e a partir dali, começa de certa forma, a moldar arbitrariamente, a vida da menina.

A autora faz uma analogia entre o modo com que o professor tutela, a seu modo, a vida de Lolita, com a forma com que o regime iraniano impõe sua ideologia, nos mínimos detalhes, à população iraniana.

Passados 31 anos da Revolução Islâmica, o povo iraniano ainda é a Lolita do professor francês.

Tem dois aspectos que me fazem crer, no entanto, que os iranianos demoverão o regime por suas próprias forças. O primeiro é a própria Educação de seu povo. Ao contrário de outros regimes opressores como Coréia do Norte, Sudão e Somália, por exemplo, o Irã tem uma classe média atuante e esclarecida. Não à toa, o Cinema e a Literatura iranianos são internacionalmente reconhecidos.

O outro motivo para meu otimismo é o fenômeno que mais me encanta atualmente: a Globalização. Ano passado, a violência do Governo durante os protestos contra a fraude nas eleições iranianas foi denunciada pelo Twitter, já que foi impedida a atuação da imprensa tradicional. A mesma internet, que externa informações sobre o país, também leva. E isso é fundamental para a contestação do regime, já que os jovens que nasceram depois de 79 não viveram a época em que era permitido às mulheres tomar sorvete na rua. Hoje é considerado um insulto, pela obscenidade do ato.

Não quero entrar na discussão antropológica de que há de se respeitar a cultura de cada povo. Matar mulher a pedradas por adultério é barbaridade (na origem da palavra, barbárie) aqui, no Irã, na Somália e nas sociedades que ainda estão por vir. Viu, Lula?

Mas retomando o meu ponto central, a Educação e a Globalização, que hoje em dia são difíceis de desassociar, são minha esperança de abrir o jornal e ver mulheres, não só lendo Lolita, mas também dançando, ao som de Lady Gaga, em Teerã.




PS: Para quem se interessa pelo Irã, tenho duas dicas legais:

O filme Persépolis, que mostra as transformações na vida de uma menina por causa da Revolução Islâmica. Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=1yXyXvHbREk

O "Não conta lá em casa" no Irã também é bem bacana: http://www.youtube.com/watch?v=KRWR8LJUq50

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Antes mal acompanhadas...

O direito de igualdade entre homens e mulheres vai ser uma eterna luta feminina. E, diga-se de passagem, nos últimos 70 anos, foram conquistados avanços importantes. Saíram do impedimento de votar para ter o salário equiparado ao dos homens (embora a idade para se aposentar ainda seja menor, mas isso é outra história...). Mas evidentemente e graças a Deus, as diferenças ainda existem, e tomara, sempre existirão.
Esse preâmbulo de gêneros serviu para trazer um debate sobre um aspecto específico desta diferença social. Se esse blog fosse mais comercial, prático e menos prolixo, esse texto seria substituído simplesmente por uma enquete: ainda há uma diferença de percepção pela sociedade em relação a um homem solteiro e uma mulher solteira?
Existe, apesar de todas as conquistas femininas, esta história de que o homem solteiro é galinha e a mulher solteira é encalhada? (mais à linha Márcia Goldschimdt...)
Partindo da premissa de que sim, seria compreensível e até, por este ponto, estimulante, que as mulheres namorem para não serem mal vistas pela “sociedade”. Daí surge outra questão importante: será que há mulheres namorando só para não ficar com o rótulo de encalhadas?
Talvez por isso, há mulheres que emendem namoros. Eu sempre desconfiei de meninas que mal terminam um namoro e começam outro. Ou, de fato, é muita sorte (como diz a Rita Lee “sexo é escolha, amor é sorte”) ou preferem ficar antes mal, ou na melhor das hipóteses, mais ou menos, acompanhadas do que só.
Já especulei certa vez se as meninas que namoram em sequência têm o pai ausente e o namorado viria, nestes casos, cumprir esta função paterna, numa linha freudiana.
Tem também o argumento de que as mulheres se saturam de ficar indo para a night muito tempo e ser a “caça” dos caras da balada. Mas, acreditem, para o homem também chega uma hora que enche o saco ser o caçador. Mas nem por isso nos contentamos com a primeira presa.
Bem, eu não sei quantos aos outros, mas eu até admiro meninas que ficam sozinhas um tempo, até para se conhecer melhor. Como dizem por aí, pra estar com alguém, é preciso primeiro saber estar só. Mas, como na verdade, o que eu queria mesmo era saber a percepção das pessoas sobre esta questão, é melhor eu achar o aplicativo da enquete...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O livro

Pessoal, o "Inverno de Julho", o livro, está disponível no site da Editora Multifoco, no link: http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=&idProduto=244. Ouvi dizer que está bem legal.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Edward and Monique

Ela tem um Blackberry, ele, um Iphone. Mesmo assim tentaram ver se dava certo. Ela é bem prática e metódica, gosta de tudo preto no branco. Ele prefere a multiplicidade de opções. Ela se dá bem com as teclas do Blackberry e despreza o teclado escorregadio do Iphone. Ela não gosta de nada escorregadio. Ou é ou não é. Já ele não quer saber se no celular pode ter duas ou três caixas de correio.
Ela odeia quando manda um e-mail e ele não responde: “A utilidade de um celular com internet é você poder responder os e-mails na hora”, diz. Ele responde que estava distraído vendo os clipes de música no Youtube, principal uso de sua internet móvel.
Quando classificaram o Blackberry como o celular do “mundo corporativo”, ela não teve dúvidas. Este é o mundo dela. Diga-se de passagem, onde tem tido bastante sucesso so far.
Mas de repente, conhece um cara que abala suas convicções. É meio descompromissado com qualquer “amarra social”, como alertam suas amigas, e não sabe nem bem do que se trata o tal “mundo corporativo”. Ela ficou na dúvida se o mundo paralelo agora era o dele ou o dela.
Várias vezes, quando saíam, ela, enquanto ele contava histórias como a do “Adeus, Lênin”, dava uma olhada para baixo para ler o e-mail que tinha acabado de chegar no mobile. Ele nunca se, nem a interrompeu por causa disso. Continuava divertindo-se contando a cena em que o filho corre atrás dos pepinos em conserva para poupar a mãe do baque do Capitalismo cruel.
Parou de dar certo quando ela quis para aquele relacionamento o escopo do projeto. Com data de início e previsão de retorno. Atenciosamente.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dia 1º de julho lanço pela Editora Multifoco meu primeiro livro, Inverno de Julho. É uma coletânea dos textos que escrevi no Sobrecasa e neste presente blog. Todos estão convidados. E não tem jogo da Copa nesta data, ou seja, não tem desculpa. Vejo vocês lá.


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Getting older

Há pouco tempo recebi um e-mail cujo título era “A síndrome dos vinte e tantos anos”, falando da angústia que as pessoas atravessam nessa fase da vida. Logo identifiquei alguns, talvez a maioria dos meus amigos atualmente, que andam se lamuriando (não me excluo) pelas mesas de bares, e como permite a Modernidade, no Facebook e no Twitter.
O e-mail abordava questões como inserção no mercado de trabalho, a dificuldade de encontrar horários para ver os amigos, e claro, relacionamento.
Eu tenho minha tese sobre este momento da vida. Acho que a transição da fase da faculdade, quando, por mais que reclamássemos, tinha uma rotina prazerosa, um pouco descompromissada, para o dia-a-dia somente de trabalho, em que faltar não é uma possibilidade tão comum, é uma mudança significativa, nem sempre agradável.
Outro aspecto importante deste momento da vida é a exigência cada vez mais latente. Tanto para lugares, quanto para pessoas. A fase “eclética” do “gosto de tudo” diminui gradativamente. Você gosta de determinados (e poucos) lugares, fazer novas amizades fica cada vez mais complicado. E para encontrar alguém com quem se identifique torna-se mais difícil. A beleza só não basta. Você analisa as roupas, o jeito de falar, os lugares que a pessoa freqüenta, a música que ouve e até o que ela escreve no Twitter.
Isso para os solteiros. Os namorados se angustiam e ficam se perguntando se aquela pessoa é de fato com quem vão querer dividir a cama para o resto da vida.
Mas chega uma hora em que o tempo, senhor da razão, acerta seus ponteiros.
Você se acostuma com a rotina de trabalho, a exigência torna-se sinal de autoconhecimento, afinal, você quer encontrar no outro gostos e características que na verdade são seus.
Acho que cada vez mais entendo o que Nelson Rodrigues queria dizer com: “Jovens, envelheçam”.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Por que eu voto Serra

Há quatro anos minha foto no perfil do Orkut tinha um avatar do Lula, e eu era voz uníssona nas dicussões com meus amigos nos bares de Copacabana, defendendo "o cara" (como botafoguense, eu já ganhei expertise em ser voz uníssona nas discussões de bar). Não me arrependo. Pelo contrário. Apesar de algumas lacunas que os oito anos de Governo de Lula deixaram, como na Educação, por exemplo, acho que o saldo deste período é extremamente positivo. Isso é reconhecido não só por mim, mas pela Imprensa internacional e por 80% da população brasileira.
Mas não consigo desassociar o que foi feito nestes últimos oito anos em relação à base que foi construída nos oito anos anteriores. Por isso, acho que apesar de diversas queixas, os últimos 16 anos foram extremamente produtivos para o país e FHC tem, sim, muitos méritos neste processo.
Mas dos quatro anos da minha campanha para o Lula no decadente site de relacionamento para hoje, eu revi meus conceitos, como prega a propaganda. Até por experiências próprias. Uma delas foi trabalhar num órgão público. E ver com meus próprios olhos como (não) funciona o Estado como administrador. Independente de teorias ou ideologias uma empresa que não tem a prerrogativa de demitir um funcionário não pode ser bem gerida. O Jabor tem um texto interessante que diz que uma empresa tem de ser administrada como o Seu Manoel administra a padaria dele. Se ele não tem demanda pra três padeiros, por que manter os três?
Portanto, eu não consigo mais engolir esse discurso do "Estado indutor da Economia". Tudo o que você precisa do Estado não funciona. As pessoas são acomodadas, porque o próprio sistema as propicia isso. Basta ir ao Detran ou ao cartório, ou conversar com alguém que tenha a União como chefe.
Não que eu seja contra a presença do Estado como distribuidor de renda, por exemplo. Eu acho o Bolsa-Família um excelente programa. Para isso, eu até trabalho quatro meses de graça. Mas daí a trabalhar para bancar os filmes panfletários do Sílvio Tendler?
Também sei que o Serra não é o liberal que se propala. Mas pelo menos não carrega a bandeira do "Estado mãe" como a Dilma.
Quatro anos depois, eu não vou pôr um avatar do Serra no meu Facebook, mas agora terei companhia nas minhas discussões de bar em Copacabana.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A crônica em preto e branco


Clube de cronistas e escritores, como Vinícius de Moraes, Clarice Lispector, João Saldanha, José Lins do Rego, o título do Botafogo não poderia deixar de remeter ao gênero que fica no meio-de-campo entre a Literatura e o Jornalismo. Desacreditado desde o início do campeonato, arrasado depois de uma goleada de seis a zero em seu campo, sofrendo três gols de seu último grande ídolo, a conquista do Botafogo mereceria as palavras e a narrativa de Armando Nogueira, morto um mês antes. Eles nos brindara com frases como: "Feliz do clube que tem como símbolo um objeto de Deus" e "O Botafogo é bem mais do que um clube - é uma predestinação celestial".

Depois de uma vitória na semifinal do primeiro turno contra o Flamengo, que admita-se, mais por sorte do que por qualquer outro fator, e em seguida, com autoridade, uma vitória sobre o mesmo Vasco dos 6 a 0 menos de um mês antes, o Botafogo garantia seu lugar na final, como nos três últimos anos, mas ainda permanecia para sua própria torcida desacreditado.

Depois de um segundo turno claudicante, com derrota no clássico para o Fluminense, o Botafogo enfrenta o mesmo adversário na semifinal, com Fred, seu goleador inspirado, e vence, de virada.

O time contra quem jogaríamos a final sairia de Vasco x Flamengo. E tirando nós, nenhum outro time do Rio tem feito frente a eles. Não deu outra.

A vitória alvinegra na decisão contra o Flamengo começou a se desenhar antes do jogo, quando nossa torcida parecia que estaria maior do que o outro lado. Antes do apito inicial, eles chegaram, mas o sentimento de opressão não era o mesmo de anos anteriores. O êxtase quase virou água fria aos 33m do segundo tempo com o já conhecido penaltizinho pra eles, como nos anos anteriores. Mas esse ano, também diferente das três últimas edições, nós tínhamos goleiro. Um personagem frio, que quase não aparece, ao contrário do badalado ataque rubro-negro. Melhor assim. Aquela defesa foi a resposta à soberba, à arrogância, ao “Flamengo é Flamengo”.

Já que Armando não poderá nos contemplar com sua crônica sobre essa conquista, as palavras entoadas pela torcida, de autoria desconhecida, servem para registrar a epoéia alvinegra: "Momentos ruins eu já vivi, mas nunca parei de cantar (...)". Um dia, a recompensa por esse amor que ninguém cala, chega.

domingo, 11 de abril de 2010

Impresión de viaje


Quatro brasileiros chegam a um restaurante no Centro de Buenos Aires. Monoglotas, pedem à garçonete, em Português, seus pratos e garrafas de vinho. A garçonete argentina, que possivelmente também fala Inglês, responde na língua dos visitantes. Esta cena ilustra a relação Brasil e Argentina atualmente. Os brasileiros, impulsionados pela emergência econômica recente, mas que não vem acompanhada de Educação, fazem uso de sua vantagem monetária e são poucos os que demonstram algum dote intelectual. A Argentina e a argentina (a garçonete) em decadência econômica, ainda mantêm o seu alto grau de instrução, do qual nunca se desfizeram. Outra comparação dessa relação pode ser vista através das roupas. A classe média brasileira deslumbrada, com suas camisas em letras garrafais da Abercrombie, enquanto os argentinos usam roupas discretas sem marca, porém elegantes. Não quero ser acusado de antipatriota. Mas acho que temos que tirar muitos exemplos de nossos hermanos. Embora a decadência seja visível na má conservação, por exemplo, dos prédios públicos, Buenos Aires ainda está anos à nossa frente. Por isso, continuo batendo na tecla de que este é o momento de aproveitar o bom momento da economia brasileira, em função principalmente de nossas vendas de matérias-primas à China, para investirmos em Educação. Só isso será sustentável a longo prazo. Puerto Madero, a área comercial recente da Argentina, serve de exemplo para o que queremos fazer aqui no Rio, que já começou mal com o cafona nome de “Porto Maravilha”. Além de ser de uma elegânia ímpar, construíram uma faculdade na área – a PUC. Outro exemplo bacana é a Libraría Ateneo (foto). Antes, um cinema e teatro luxuosíssimo, virou uma livraria, e não tem muito tempo: dez anos. No Brasil, possivelmente teria virado uma Igreja Universal. Por sinal, há livrarias – quase sempre cheias, diga-se de passagem - em Buenos Aires como há farmácias no Brasil. E eles veneram seus escritores como gostamos de nossos jogadores. No city tour, tem passeio à casa do Borges, seu mais famoso escritor, e diversas esculturas em sua homenagem. Portanto, em vez dessa rivalidade que não leva a nada, podemos olhar pra eles e ver o porquê de terem cinco Prêmios Nobel, o último Oscar de melhor filme estrangeiro...

terça-feira, 30 de março de 2010

Cartão ou dinheiro?

Casa da Matriz, sexta-feira, 4h45.

Oito cervejas - R$ 65,00. Duas caipirinhas e uma Smirnoff - R$ 37,00. Tiago, 31 anos e Ana, 27. Conheceram-se naquela noite. Tiago vai pagar a conta de Ana. Está querendo levá-la para casa. Ana, ainda amargurada com um pé na bunda recente e pouco bêbada, está pensando se vai dar ou não naquela noite. É mais provável que não.

Três Red Bull com vodka e duas Boemias – R$ 73,00. – Henrique, 26, anos. Nunca namorou. Aquela era mais uma noite em que tinha a esperança de conhecer alguém legal. Fica pra próxima.

Duas caipivodkas e uma água – R$ 49,00. Bruna, 30 anos. Seu namorado, Pedro, está viajando. Nessa festa quase ficou com Augusto, um cara interessante, papo bacana. Bruna já está meio de saco cheio de Pedro. Está arrependida de não ter ficado com Augusto. Poderia ter sido legal.

Duas tequilas e quatro cervejas - R$ 53,00 – Tatiana, 22 anos. Namorava há dois. Está solteira há um mês, mas ainda não conseguiu tirar Otávio da cabeça. Está pensando em pagar a conta e ligar pra ele, embora todas suas amigas, querendo que ela fique mais tempo solteira, recomendem o contrário.

Seis cervejas – R$ 35,00. Dois refrigerantes – Maurício, 24 anos. Maria Luiza, 23 anos. Começaram a namorar há dois meses. Maurício está feliz, Maria Luiza nem tanto.

Caixa da Casa da Matriz há três anos, Dona Augusta, 47 anos, não vê a hora de o último cliente pagar a conta e pegar sua condução para o Irajá onde mora com o filho. Amanhã é sábado. As histórias, que ela sequer conhece e tampouco faz questão de conhecer, se repetirão.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A favor das maiorias

Cada vez mais sou fascinado pela Globalização. Ela tem uma característica que considero muito importante para o bom desenvolvimento de qualquer sociedade: a integração. Talvez por isso, eu esteja criando, por outro lado, um certo preconceito aos que vão contra esse movimento.
Um deles é o patriotismo exarcebado; o ufanismo. Este sentimento, por consequência dessa aversão à integração, levou o homem a diversas guerras ao longo da História. A Sociologia dá um nome muito apropriado para esta abstração que define que do Oiapoque ao Chuí, por exemplo, somos brasileiros: Construtivismo. Afinal todas estas definições foram construídas por alguém ou por alguns. Esta relação está diretamente ligada à Psicologia, que justifica esse sentimento como "satisfação narcísica", através da qual você sente um orgulho enorme quando o Kaká faz um gol contra a França. Não que esses sentimentos não sejam importantes para a construção da identidade humana, vide a minha com um clube alvinegro, mas temos de ter cuidado para que essas identificações não tornem-se a negação do outro.
Por isso também tenho um certo receio desses movimentos de "minorias": negros, mulheres, gays. Eu acho válido quando são oprimidos, por isso não nego a importância de um Martin Luther King, por exemplo. Mas quando vira uma coisa muito segregacionista, eu acho que acaba ratificando sua exclusão.
Também não estou fazendo uma apologia da homonegeização. Isso é impossível. Como diz o Andy Warhol, os homens são diferentes até pelo sabor da sopa que consomem.
Por isso tudo eu concordo com o Bob Marley, quando diz que "until the color of a man's skin is of no more significance than the color of his eyes, there will be a war". E eu acho que a insignificância da pele de um homem passa também por não valorizá-la.

*Tem um texto em certo ponto relacionado que escrevi há um tempo: http://www.invernodejulho.blogspot.com/2009/03/um-convite-forcado-ao-universo-feminino.html

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Alguém tem que ceder

Assisti outro dia a “500 dias com ela”. Meio piegas, vá lá, mas bacana. A história de uma mulher para quem "falta alguma coisa" para ter um relacionamento mais sério com um cara. É quase a resposta feminina do "Ele não está tão afim de você". Os dois filmes tratam relativamente do mesmo tema: uma certa incompreensão em levar o milenar pé na bunda, que segundo interpretação recente do Joaquim F. dos Santos, “primeiro machuca, depois educa”.
Talvez tenha a ver, sem qualquer juízo de valor, com o fato de os homens e mulheres estarem cada vez mais exigentes, abusando de seu farto poder de escolha. Talvez a explicação esteja na História. Até pouco tempo a separação era mal vista, e há mais tempo, os casamentos eram arrumados. Agora é a hora da alforria.
Chega a ser engraçado. Por um lado, os homens se queixam de que para as mulheres é muito fácil. A gente tem que ficar bolando uma estratégia e um assunto interessante para abordá-las e elas só têm o trabalho de topar ou não. Já as mulheres reclamam que elas “têm” que ser passivas. Se acham um cara atraente “não podem” tomar a iniciativa, por questões culturais.
O Cuenca escreveu há duas semanas que “as mulheres de hoje estão com profunda dificuldade em gostar de quem gosta delas”. O próprio cronista já tinha terminado um texto dizendo que as mulheres querem homens que “as amem muito, mas que não demonstrem tanto”.
Se as mulheres têm tantas exigências, Vinicius não deixou por menos:
“Senão é como amar uma mulher só linda. E daí? A mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade, um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão”.
Pois é. Exigências são necessárias, mas... alguém tem que ceder.

*Se esse fosse um blog sério, teria uma seção "textos relacionados" e apareceria este aqui da época que eu escrevia no Sobrecasaca: http://sobrecasaca.blogspot.com/2008/10/tal-da-revoluo-feminina_12.html

domingo, 31 de janeiro de 2010

O neoliberalismo, o Brasil e a Educação

Há muito eu ouço que o Brasil não investe em Educação. Sempre na terceira pessoa. Poderíamos substituir o Brasil por ele. Ele não investe em Educação. E a gente, o que está fazendo? Cada vez menos procurando informação; Educação. Quer dizer, Educação a gente até procura, mais por exigência do mercado do que por interesse próprio. A gente não faz mais Mestrado, a gente faz Master Business Administration.
Outro dia ouvi um argumento bem justificável do porquê os franceses refutam tanto o ''american way of life''. Com a correria frenética e tanto tempo dedicado ao trabalho, teriam eles menos tempo para se dedicar às atividades intelectuais.
E este foi um argumento que abalou parcialmente minhas convicções neoliberais, motivadas sobretudo pela prosperidade americana.
Mas voltemos à questão tupiniquim. Como exigir Educação num país (quando eu digo país, por favor, leia-se os 180 milhões de habitantes, e não o Governo ou o Lula) em que cada vez fica mais fácil ganhar dinheiro sem desenvolvê-la? E quando eu escrevo isso me pego mais uma vez contradizendo minhas ideologias, já que é inegável que é bom que todos prosperem.
E eu não me refiro somente aos menos abastados financeiramente, que é justificável que de fato leiam menos. Para a classe média, é só fazer um curso de ADM, de Marketing, de Engenharia, passar num programa de trainee da Shell, da Coca-Cola, pra ganhar muito bem. Claro que pra isso você tem que ser ''focado'', pensar nos ''resultados'' e nos ''diferenciais''. Mas não precisa ler muito, não. Dois do Kotler já tá bom.
São novamente sinais dos tempos modernos, em que os empregos e os bons salários estão nas empresas, e não mais nas velhas profissões que exigiam mais dedicação à leitura, como o Jornalismo, o Direito, a Medicina, a Pedagogia.
Como pensar em Educação, num país onde uma bolsa de mestrado paga menos do que o primeiro salário de um recém-formado? Estudar e ler pra ser chamado de pseudointelectual? Isso é demodé.
Como querer ser jornalista quando ninguém está mais preocupado em informação de qualidade? Os 140 caracteres do Twitter já me bastam, eu consigo saber do mundo todo ali e ainda fico sabendo que a @Bia foi no Itahy ontem.
Tem também o argumento de que hoje temos mais atrativos além da leitura. Talvez seja melhor ir ouvindo um Ipod no metrô do que lendo um livro. Aliás, o Ipad está chegando aí, a gente pode ver vídeos, ouvir música e até... ler. Mas aí a vista cansa. Talvez Monteiro Lobato não estivesse se referindo ao Brasil quando disse que ''um país se faz com homens e livros''. A questão da Educação no Brasil é mais simples do que se pensa, o liberalismo explica com a lógica de mercado. Falta Educação no Brasil porque não tem quem a consuma.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A nossa década

Mais do que um ano novo, a gente a partir de hoje começa a escrever uma nova década. E o a gente refere-se à nossa geração de 20 e poucos anos (@via PedroCoqueiro). Espero que ao fim desta década, nós com 30 e poucos anos, olhemos para trás e vejemos que a escrevemos bem. Espero que a nova classe média brasileira, que será cada vez mais numerosa, não se deslumbre com o consumo de bens duráveis mas consuma também informação. Que a velha classe média brasileira dedique mais tempo a seus Kindles do que a seus Blackberrys. Que as mídias sociais não sirvam somente como um Big Brother pessoal, como nos ensinam os iranianos. Que a tecnologia de uma forma geral, cada vez mais inerente às nossas vidas, nos facilitem o acesso à informação, e não nos embabaque. Que a gente não mais assista a um Sarney na presidência do Senado, num cenário tragicômico. Que os talibãs, as Al-Qaedas, os Ahmadinejad e os Chávez desmoronem não por invasões externas mas pelo anseio de liberdade de seus homens e mulheres. Que a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 sejam um sucesso e nos tragam a autoestima que falta. Que a Copa da África também seja maravilhosa. Que, por sinal, a gente finalmente ouça falar da África, o continente que a gente sempre fingiu que não existe. Que o nacionalismo burro e extremista, que levou a tantas guerras, seja substituído cada vez mais pela globalização e integração entre os povos. Que o Rio de Janeiro se veja livre do tráfico nas favelas e que esse último ano da década, o melhor dos últimos 20 anos para a cidade, seja só o começo. Que esses encontros de Copenhage e Kyoto não sejam mais tão necessários porque as pessoas pararam de pegar saco plástico quando não precisam e jogaram as pilhas no lugar apropriado para elas. Que o boom econômico que o Brasil vem tendo venha acompanhado de investimento em Educação, que é o que trará frutos futuros e nos garantirá a estabilidade depois que os chineses pararem de comprar nosso cobre. Que os professores sejam mais reconhecidos e remunerados, tanto quanto os marketeiros e adminstradores de empresas. Mais do que esperar, eu quero ajudar a escrevê-la. As páginas estão em branco. A caneta (ou o teclado) está com a gente. Feliz década nova. Feliz vinte e poucos anos.
01/01/2010.
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