segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A deselegância discreta das tuas meninas




Pra mim, a maior característica e qualidade de São Paulo é o cosmopolitismo. São Paulo mostra a nós, cariocas, o quão provinciano somos. E preconceituosos. Se no Rio, temos meia dúzia de tribos - os surfistas, as meninas de calcanhar sujo da PUC, como diz o Joaquim, os hypes e mais dois ou três tipos - que se encontram no Posto 9, na Lapa ou no Baixo Gávea, em São Paulo, não. São Paulo tem um sem número de tribos, que não se misturam tanto. Ou não se misturam.
Se no Rio, em seis meses todo mundo já vira carioca e fala "mermo". Em São Paulo pode-se morar uma vida inteira, sem precisar falar “mano”.
Se Nova Iorque e Londres são as capitais do mundo, São Paulo é o que temos mais próximo disso. Em São Paulo tem-se a impressão de que há mais gays. Mas não. Lá, eles têm mais liberdade de expressão, andam de mãos dadas, e com roupas extravagantes. No Rio, os que andam assim, são no mínimo olhados com estranheza. São Paulo tem tanta gente que não tem nem tempo pra isso.
Em São Paulo, como nas grandes capitais americanas, tem sua “Little Italy” e sua “Chinatown”. São Paulo me lembra Los Angeles. Você entra para comer um Burrito num fast food mexicano e ouve pessoas conversando em alemão.
Outra coisa que me fascina em São Paulo é a sua conservação. É difícil achar um buraco no asfalto. Os jardins são muito bem cuidados e é realmente diferente uma cidade sem outdoors. A qualidade de serviço em São Paulo é impressionante. Você senta num bar e pede um refrigerante, o garçom vem pergunta se você quer copo ou canudo e te atende de maneiro muito educada e eficiente. Claro que é difícil encontrar no mundo uma cidade tão linda como o Rio, mas São Paulo nos ensina que ordem e gestão são essenciais, sim. Do contrário, o Rio vai ficar para sempre se vangloriando de suas mesinhas na calçada.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Brasil bomba

Há cerca de 50 anos, Nelson Rodrigues escrevia sobre o Complexo de Vira Latas, termo que todo mundo conhece mas que poucos leram, de fato, o texto que o originou: ''por 'complexo de vira-lata' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo '' ainda: ''o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima''. 50 anos depois, a gente tem, sim, motivos para sermos, se ainda não um Rotweiller, pelo menos um Cockspenel. Pouca gente sabe porque os jornais quase não noticiaram, mas há duas semanas a capa da ''The Economist'', uma das revistas de geopolítica mais conceitudas do mundo estampou na capa: ''Brazil takes off''. Dentro, 14 páginas elogiosas ao país e sua perspectiva de crescimento nos próximos anos. A única matéria que eu li sobre essa reportagem foi no ''O Globo''. E um dos sociólogos entrevistados pelo jornal disse que a visão do Brasil lá fora é muito melhor do que a percepção que os brasileiros têm aqui dentro.O Renato Russo cantou nos anos 90, logo após o Plano Collor, que ''meus amigos todos estão procurando emprego''. Hoje não. Os meus amigos e os seus amigos estão empregados. Muitos deles bem empregados. A Economia vai muito bem, obrigado. A democracia também. Hoje quase ninguém morre de fome no país. O Bolsa-Família é super elogiado. Nosso presidente é ''o cara''. Devemos isso aos últimos 16 anos de bons governos, que continuarão nos próximos quatro, independendentemente do eleito. Mas é claro que ainda temos muito a melhorar: a Educação, a Saúde, a corrupção, o funcionalismo público e... a autoestima.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Não me diga isso

Há algum tempo, motivado por um testemonial de um amigo para outro, eu vinha pensando em escrever um texto sobre “a beleza das coisas comuns”. Talvez soasse um pouco clichê, e seria, na verdade. Inspirado no about que muitas pessoas têm no Orkut “Quero poder sentir a delícia das coisas simples”, do Bandeira.
O texto iria falar sobre a necessidade de tornar as coisas mais leves, sem tanta pressão. Seria, ao estilo, de como gostam de escrever os poetas, sobre a infância distante, dos tempos em que jogavam peão, ou o saudosismo do Dorival que “tem saudade da Bahia”.
Queria voltar à essência da vida. Fora da pressão de inserção no mercado de trabalho, de pós-graduação, de relacionamento. Falar do tempo em que a maior preocupação era saber se ia ter legume no jantar (torcendo para que não) ou se seria titular no time do colégio.
Mas aí eu ouvi uma música da Legião, que por um lapso, eu nunca havia dado tanto ouvidos. “A Via Láctea”: “Queria ser como os outros e rir da desgraça da vida, ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas comuns. Mas... não me diga isso”. Aí, eu perdi o argumento do texto.
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