domingo, 21 de novembro de 2010

Je ne parle français




A chegada a Paris já mostra por que os noticiários sobre a França ultimamente só falam sobre as medidas anti-imigração. O número de não parisienses, leia-se, brancos, com blazers e echarpes pretos, vivendo ali impressiona já na ida do aeroporto ao Centro. Negros e árabes, principalmente, habitam, mas não coabitam com os parisienses. Se no tão criticado Estados Unidos, as diferenças se unem e ajudam a formar o país, na França não. Bem, aqui é importante registrar que essas afirmações taxativas são de alguém que não fala francês e teve uma percepção apenas visual.


Por isso, fico na dúvida se as bandeiras francesas, representação mais explícita de seu nacionalismo, que estão por toda parte em Paris, querem também incluir os africanos e árabes. Ou se ainda é a bandeira que empunhavam Luis XIV e Napoleão, de quem os franceses sentem tanta saudade. A minha impressão é que a França ainda não aceitou o fato de que não é mais império. Mas assim como eles, a Espanha já foi império, Portugal, Grécia e Roma, entre outros, também já o foram. Portanto, por que custa tanto entender que o mundo gira, não só em torno do sol? Por que é tão difícil aceitar que, sim, é necessário falar Inglês, assim como em breve será necessário falar mandarim? É inconcebível para mim, por exemplo, que em várias partes do Louvre, como a sobre a história do próprio museu, não haja tradução para outra língua.

E esse passado expansionista que eles tanto veneram e que fica bem bonito nas paredes dos museus só é contado do ponto de vista do vencedor, claro. O que os quadros não mostram é o sangue e as mortes do ''outro lado''. Este mesmo que, graças (não sei se é a palavra que utilizariam) a seus reis e imperadores hoje também fala francês.



Nelson Rodrigues dizia que o fla-flu começou 15 minutos antes do nada. A impressão que eu tive de Paris, é que, assim como esse clássico carioca meio sem graça, ela sempre esteve ali, imponente, emocionando a quem a conhece pela primeira vez. E não chega a ser um exagero. A construção do Louvre e de Notredame datam de 1100. Muito antes de termos nascido. Conversando com uma americana, ela me deu a frase que mais me pareceu simbólica sobre a diferença entre os dois países: ``A França olha pro passado, enquanto os Estados Unidos olham pro futuro``. Sem dar qualquer juízo de valor, vale fazer a ressalva de que os Estados Unidos, assim como nós, não tem um Louvre para visitar. 

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