domingo, 31 de maio de 2009

Sobre a sensibilidade

Você é uma pessoa sensível? Provavelmente você responderia afirmativamente a esta pergunta. Afinal, insensível é um praticamente um xingamento. Seu insensível! É algo como ''seu frio''; ''seu sem coração''. Bem, portanto, talvez seja melhor reformular a questão e trazer algumas outras. Existem pessoas mais sensíveis do que outras? E a sensibilidade, é uma virtude? A gente pode usar o termo sensível de forma intransitiva? Ou precisamos de um complemento, do tipo sensível a alguma coisa? Ou a sensibilidade é um fim em si própria, uma característica? (Perdoe-me tantas perguntas no início do texto, mas eu vi isso no último capítulo do "Sex and the City"e achei legal. Releia o parágrafo acima pensando na voz da Carrie). Dizem que as mulheres são mais sensíveis do que os homens. Estes, se auto se declararem sensíveis já não são mais bem-vistos na mesa do boteco, segundo o Veríssimo, pelo menos, que diria que homem que é homem não tem sensibilidade. Enfim, voltemos ao significado original da palavra. Sensível, sentir, sentimento. Portanto, sensibilidade está supostamente ligada ao sentimento. Será que uma pessoa sensível é a que sente os sentimentos (é uma redundância, mas poderia ser um verso) com mais intensidade? A sensibilidade seria, na verdade, viver ou sentir a vida com mais intensidade? Sentir mais a dor, sentir mais a alegria? Será que o oposto de sensibilidade seria a mediocridade? Será que os insensíveis (esqueça o xingamento) vivem a vida numa linha reta? Dizem que a arte está diretamente ligada à sensibilidade. Na composição de uma música, na escritura de um romance, na pintura de um quadro, numa cena de teatro. E para os não-artistas, como podem aplicar a sensibilidade? Um burocrata, de escritório, numa planinha do Excel? Um matemático numa conta de Baskara? Bem, achar a definição de sensibilidade eu não consegui, mas a de arte eu acho que é essa: expressar a sensibilidade. Sorte a deles.

domingo, 10 de maio de 2009

Fora de foco



Recentemente, o Fernando Calazans, colunista de Esportes do Globo, escreveu um artigo criticando os jogadores e técnicos de futebol pelo uso exagerado da palavra foco. ''O time está focado no adversário.''; ''Estamos muito focados para a decisão''. E por aí vai... Há, no entanto, uma justificativa para estes atletas. Como sabemos, os jogadores de futebol, principalmente os brasileiros, não têm uma grau de instrução lá muito elevado e, em consequência deste fato, não dispõem de um vocabulário muito extenso. Introdução futebolística feita (ainda que me doa um pouco falar de futebol nestes dias), o tal do foco saiu do vocabulário dos jogadores de futebol para ser a palavra da moda no Marketing e em qualquer ramo de vendas e corporações. ''Foco no cliente''; ''Foco no consumidor''; ''Foco nas vendas''. As aspas agora saem da boca dos boleiros para a dos marketeiros e afins - pessoas que, diga-se de passagem não podem se fazer valer do argumento dos jogadores de futebol quanto à má educação, pelo menos não às oportunidades -. Nada contra a utilização da palavra para aumentar as vendas, além de um certo empobrecimento da língua portuguesa, que machuca um pouco quem gosta dela. Mas talvez realmente não haja um sinônimo para foco neste caso. Concentração no cliente; atenção no consumidor; determinação nas vendas? É realmente não sei se cabem... Mas o que mais tem me incomodado ultimamente é que o foco deixou o meio corporativo para ser um adjetivo pessoal. Recentemente li um testemonial no Orkut que era mais ou menos assim: ''Fulano de tal, você é uma pessoa muito inteligente, muito legal, muito focada (...)'' Eu não sei quanto a vocês, mas me causa um certo desconforto (para sermos polidos) ver esta palavra empregada exaustivamente e desta maneira. Primeiro, um foco precisa de um objeto. Como na câmera, que, aliás, deve ter sido a origem da palavra. Você foca (calma, não estou te chamando do simpático animal, nem de estagiário de redação) em alguma coisa. No caso da câmera, numa pessoa, numa paisagem... No caso do verbo, no cliente, no trabalho, sei lá (eu não uso como verbo). Daqui a pouco ouviremos e leremos declarações do tipo: ''Maria, você é linda. Eu estou muito focado em você desde a primeira vez que te vi.'' A definição mais apropriada que ouvi sobre esta palavra veio de meu bom amigo João Vicente Duquestrada (www.sombraboa.blogspot.com): ''focar, na verdade, nada mais é do que limitar o todo''. Foco e limitação: duas palavras que têm tudo a ver neste caso.
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