segunda-feira, 25 de abril de 2011

Roupa Nova

Pessoal, tô com um site novo, de nome próprio. Os novos textos estarão lá. O Inverno de Julho, que, criado despretensiosamente, até livro rendeu, ficará aqui na blogsfera, como lembrança, contando algumas histórias destes últimos 3 anos (ou mais). Valeu mesmo pra quem vinha aqui e deixava um comentário ou por quem só passeava anonimamente. Agora cheguem lá: www.jtrindade.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2011

Todo mundo tem uma história de amor atrapalhada

Bem, a frase acima ia começar a prosa, mas eu achei que ela é tão impactante que é melhor ali, destacada com letras maiores e outra cor, quase como título de uma peça de teatro.
Há algum tempo fiquei com essa frase na cabeça, mas o texto não vinha junto. Talvez eu tenha gostado tanto dela por classificar o substantivo mais "sublime" de todos (só comparável a vida, mãe e Deus) com um adjetivo tão banal e que faz da própria palavra engraçada como “atrapalhada”.
Ela é boa também porque simplifica uma história de amor (que não deu certo, claro). Não é necessário achar muitas justificativas sérias, daquelas com adjetivos profundos, tipo “interrompida”. Talvez o trapalhão dessa história seja o tempo, ou quem sabe, um carinho tatuado, ou até a “incompatibilidade de agendas”, como facilitam os famosos.
Pensei também na dupla interpretação que pode passar. Uma história de amor atrapalhada pode ser aquela que a gente vai levando aos trancos e barrancos, até com um toque de graça. Já se ela foi atrapalhada por um fator externo precisaríamos do complemento ''por, "pelo" ou pela" e de um terceiro ator, geralmente o vilão.
E ainda para vender a frase (e se virar nome de peça de teatro eu quero royalties) ela democratiza e humaniza “uma história de amor atrapalhada”, porque usa o “todo mundo”, que de fato tem, teve ou terá uma (algumas).
Como eu avisei lá em cima, eu ainda não tenho uma definição para anexar à frase, mas como no Facebook e no Twitter é só ela que aparece...

terça-feira, 1 de março de 2011

Porteiro-mulher (porteira)?

Texto publicado no Sobrecasaca em 22/09/07


O povo brasileiro se faz várias perguntas. “Quem matou Odete Hoitman?”; “O que acontecerá com o Jornal Nacional se o Willian Bonner e a Fátima Bernardes se separarem?”; “Quem será o camisa 9 da Seleção na próxima Copa?”, e por aí vai. Mas a questão que mais me intriga é a seguinte: Por que não existe porteiro mulher? E se existisse, chamaria-se porteira?
Acho que quando eu vir um porteiro-mulher (porteira?), de uniforme e tudo, vai se equiparar à reação de ver um negro presidente dos Estados Unidos. Imagina a situação: “Pode deixar o cd aqui na portaria, com a minha porteira?”. Não saberíamos nem qual alcunha a daríamos.
Um argumento, quando conversei com algumas pessoas sobre essa questão tão importante para a Antropologia, para a Sociologia, e para todos os campos de atuação que pensem a sociedade, foi a de que os porteiros são uma espécie de seguranças também. Mas essa não colou muito. Primeiro, porque existem até mulheres policiais. Segundo, porque, cá entre nós, o porteiro, na melhor das hipóteses, em caso de assalto, vai acionar a polícia, coisa que a mulher também pode fazer perfeitamente.
Há o argumento de que é um fator cultural. Esse eu concordo. Mas a cultura vai se transformando. Hoje temos casamento entre pessoas do mesmo sexo, mulheres presidentes, mas porteiro-mulher (porteira?), nada. Claro, há o contraponto, as empregadas domésticas são mulheres, mas aí eu acho que a justificativa é mais plausível, afinal, (desculpem-me as feministas) as mulheres, são desde sempre, mais cuidadosas com os afazeres domésticos. Mas, claro, nada é definitivo. Os homens já são, por exemplo, ótimos chefs de cozinha.
Enfim, eu tenho vontade de fazer uma matéria sobre isso, ou quem sabe, um filme, um livro, sei lá. Mas eu ainda tenho de desvendar esse mistério tão importante para...mim.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Facebook vende o meu peixe

Eu sou fascinado pelo Facebook. Obviamente não me refiro aos posts que batem ponto na minha timeline, do tipo: “sono”; “fome” e “bailinhooooooo”. Não. O que me encanta é a ferramenta e seu caráter globalizante. Eu criei o Facebook em 2008, quando passei uma temporada nos States e queria manter contato com meus amigos estrangeiros. E durante um bom tempo foi este meu uso exclusivo, para falar com estes friends. Para os conterrâneos, tinha o bom, velho e emotivo Orkut, que convenhamos, apesar de ter sido criado por um turco, tinha características bem latinas, até piegas (o que pra mim, que fique claro, é positivo) com os testemoniais apaixonados ou declarações emocionadas de amigos. O Face, não. Como bom americano, ele é prático e funcional, sem churumelas. Não tem textos de amigos e da namorada estampados no seu perfil e até as comunidades são pontuais. Acabaram aquelas que exibem sua personalidade “sou legal, não estou te dando mole” (que dez entre cada dez meninas tinham); “eu não gosto de mulher de boné”. No FB, você curte uma banda, uma revista e uma companhia aérea. Make it easy.
Como fui um dos primeiros, entre meus amigos, a ter Facebook pude acompanhar a migração do Orkut para o Face, o que para mim reflete a internacionalização, motivada também pelos avananços econômicos do Brasil nestes últimos anos. Quem foi à Torre Eiffel, ou qualquer outra atração turística europeia ou americana nos últimos anos, sabe do que estou falando. Seguramente, você irá ouvir um "muito linda, né, meu'' (o sotaque paulista não é provocação, é uma constatação).
E o mesmo aconteceu no Irã, Japão, Marrocos, até na nacionalista e antiamericana França, e assim por diante, que trocaram seus ''Orkuts'' pelo Facebook.
Como já abordei muito o contexto político-globalizador do FB e aqui poderia me gabar de mais um exemplo, agora nos países árabes, com este texto só queria mesmo vender o meu peixe, especialmente nesta fase de procura de emprego. Acho que, além de cada vez mais fã da Globalização e anti-nacionalista, eu gosto do FB porque, de certa forma, ele demonstra a importância das duas formações que escolhi: Comunicação e Relações Internacionais. Prezados, segue meu currículo em anexo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nós, eles e os chineses



Para encerrarmos o tema europa neste blog, até, claro, minha próxima imigração, queria deixar uma das impressões que mais me marcaram nestas voltas ao velho continente em três meses: a tão utilizada terminologia “países desenvolvidos e países em desenvolvimento” (estágio que alcançamos não faz muito tempo). Estes definições que me pareciam um certo eufemismo para países pobres e países ricos, na verdade, fazem muito sentido. Até por uma questão temporal. É difícil comparar países com mais de dois mil anos de existência, com os países sulamericanos, por exemplo, com pouco mais de 500 anos de descobrimento. Enquanto em Paris já existiam palácios, como o Louvre em 1200, no Brasil possivelmente a construção mais emblemática devia ser uma cabana com os tetos de madeira. Portanto, ainda estamos em fase de crescimento, ao contrário deles. Mas pelo menos parece que agora o nosso crescimento vem metabolizado com um Biotônico Fontoura, ou, para sermos mais atuais, com Way Protein.
Mesmo os países europeus mais afetados pela última crise, como Espanha e Portugal, já têm suas linhas de trem, metrô e portos desenvolvidos, para referendar o termo. Já a síntese desse nosso país em desenvolvimento pode ser o próprio metrô. Que finalmente, no Rio de Janeiro, vai chegando a... Ipanema. Por isso, que por mais alarde que se faça na europa, uma crise econômica como a última é muito pior para países em desenvolvimento porque atrapalha ou impede este crescimento. Seja a estação de metrô em Ipanema ou o porto no Rio, sejam as empresas que fazem a reconstrução de Angola. Afinal, construir é sempre mais caro que consertar ou renovar, como no caso europeu. E os 20% de espanhóis desempregados podem continuar vivendo na casa dos pais que já tem aquecedor.
Como afirmei que esse é o último texto sobre as impressões europeias queria também matar o outro coelho. Um coelho chinês. Foi a primeira vez que tive contato com os novos bicho papões do mundo. Quando morei nos EUA, não sei se o regime ainda era muito fechado ou a localização geográfica influenciava. A impressão que eu tive dos chineses me remete ao George Orwell, no 1984, em que o regime totalitário tenta transformar todos os seus subordinadas em uma massa acéfala. Os chineses não têm qualquer senso crítico ou contestatório. Um exemplo concreto: foi montado no meu curso uma turma só com chineses e taiwaneses quando muitos deles chegaram. Os taiwaneses detestaram e pediram pra mudar. Afinal, qual o sentido de ir à Espanha estudar Espanhol numa turma só com compatriotas? É quase o mesmo que fazer um curso de idiomas em seu próprio país, diziam. Os chineses não reclamaram. A única exigência era a de que os professores não pulassem as lições.
Mas a esperança que eu tenho que esse sistema opressor seja demovido vem da Globalização. Ok, ingenuamente, alegam meus dois adversários ideológicos (possivelmente os que ainda estão lendo o texto até aqui), bato sempre nesta já gasta tecla. Mas tive um bom amigo chinês nesta viagem que reforçou minha fé. Ele e sua namorada vivem na Espanha e nem pensam em regressar à China, depois de conhecer que existe no mundo lugares onde não se trabalham 15 horas por dia, você pode ver o filme, o programa ou a notícia que quiser e ainda pode participar de uma comunidade virtual em que pode manter contato com todos os outros habitantes do planeta, que, descobriram eles, também são legais. Bem, agora ele replicará esse conhecimento a cinco amigos dele. E a namorada a outros cinco. Só faltarão 1.999.999.990 chineses.
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