terça-feira, 30 de março de 2010

Cartão ou dinheiro?

Casa da Matriz, sexta-feira, 4h45.

Oito cervejas - R$ 65,00. Duas caipirinhas e uma Smirnoff - R$ 37,00. Tiago, 31 anos e Ana, 27. Conheceram-se naquela noite. Tiago vai pagar a conta de Ana. Está querendo levá-la para casa. Ana, ainda amargurada com um pé na bunda recente e pouco bêbada, está pensando se vai dar ou não naquela noite. É mais provável que não.

Três Red Bull com vodka e duas Boemias – R$ 73,00. – Henrique, 26, anos. Nunca namorou. Aquela era mais uma noite em que tinha a esperança de conhecer alguém legal. Fica pra próxima.

Duas caipivodkas e uma água – R$ 49,00. Bruna, 30 anos. Seu namorado, Pedro, está viajando. Nessa festa quase ficou com Augusto, um cara interessante, papo bacana. Bruna já está meio de saco cheio de Pedro. Está arrependida de não ter ficado com Augusto. Poderia ter sido legal.

Duas tequilas e quatro cervejas - R$ 53,00 – Tatiana, 22 anos. Namorava há dois. Está solteira há um mês, mas ainda não conseguiu tirar Otávio da cabeça. Está pensando em pagar a conta e ligar pra ele, embora todas suas amigas, querendo que ela fique mais tempo solteira, recomendem o contrário.

Seis cervejas – R$ 35,00. Dois refrigerantes – Maurício, 24 anos. Maria Luiza, 23 anos. Começaram a namorar há dois meses. Maurício está feliz, Maria Luiza nem tanto.

Caixa da Casa da Matriz há três anos, Dona Augusta, 47 anos, não vê a hora de o último cliente pagar a conta e pegar sua condução para o Irajá onde mora com o filho. Amanhã é sábado. As histórias, que ela sequer conhece e tampouco faz questão de conhecer, se repetirão.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A favor das maiorias

Cada vez mais sou fascinado pela Globalização. Ela tem uma característica que considero muito importante para o bom desenvolvimento de qualquer sociedade: a integração. Talvez por isso, eu esteja criando, por outro lado, um certo preconceito aos que vão contra esse movimento.
Um deles é o patriotismo exarcebado; o ufanismo. Este sentimento, por consequência dessa aversão à integração, levou o homem a diversas guerras ao longo da História. A Sociologia dá um nome muito apropriado para esta abstração que define que do Oiapoque ao Chuí, por exemplo, somos brasileiros: Construtivismo. Afinal todas estas definições foram construídas por alguém ou por alguns. Esta relação está diretamente ligada à Psicologia, que justifica esse sentimento como "satisfação narcísica", através da qual você sente um orgulho enorme quando o Kaká faz um gol contra a França. Não que esses sentimentos não sejam importantes para a construção da identidade humana, vide a minha com um clube alvinegro, mas temos de ter cuidado para que essas identificações não tornem-se a negação do outro.
Por isso também tenho um certo receio desses movimentos de "minorias": negros, mulheres, gays. Eu acho válido quando são oprimidos, por isso não nego a importância de um Martin Luther King, por exemplo. Mas quando vira uma coisa muito segregacionista, eu acho que acaba ratificando sua exclusão.
Também não estou fazendo uma apologia da homonegeização. Isso é impossível. Como diz o Andy Warhol, os homens são diferentes até pelo sabor da sopa que consomem.
Por isso tudo eu concordo com o Bob Marley, quando diz que "until the color of a man's skin is of no more significance than the color of his eyes, there will be a war". E eu acho que a insignificância da pele de um homem passa também por não valorizá-la.

*Tem um texto em certo ponto relacionado que escrevi há um tempo: http://www.invernodejulho.blogspot.com/2009/03/um-convite-forcado-ao-universo-feminino.html
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