sexta-feira, 28 de maio de 2010

Getting older

Há pouco tempo recebi um e-mail cujo título era “A síndrome dos vinte e tantos anos”, falando da angústia que as pessoas atravessam nessa fase da vida. Logo identifiquei alguns, talvez a maioria dos meus amigos atualmente, que andam se lamuriando (não me excluo) pelas mesas de bares, e como permite a Modernidade, no Facebook e no Twitter.
O e-mail abordava questões como inserção no mercado de trabalho, a dificuldade de encontrar horários para ver os amigos, e claro, relacionamento.
Eu tenho minha tese sobre este momento da vida. Acho que a transição da fase da faculdade, quando, por mais que reclamássemos, tinha uma rotina prazerosa, um pouco descompromissada, para o dia-a-dia somente de trabalho, em que faltar não é uma possibilidade tão comum, é uma mudança significativa, nem sempre agradável.
Outro aspecto importante deste momento da vida é a exigência cada vez mais latente. Tanto para lugares, quanto para pessoas. A fase “eclética” do “gosto de tudo” diminui gradativamente. Você gosta de determinados (e poucos) lugares, fazer novas amizades fica cada vez mais complicado. E para encontrar alguém com quem se identifique torna-se mais difícil. A beleza só não basta. Você analisa as roupas, o jeito de falar, os lugares que a pessoa freqüenta, a música que ouve e até o que ela escreve no Twitter.
Isso para os solteiros. Os namorados se angustiam e ficam se perguntando se aquela pessoa é de fato com quem vão querer dividir a cama para o resto da vida.
Mas chega uma hora em que o tempo, senhor da razão, acerta seus ponteiros.
Você se acostuma com a rotina de trabalho, a exigência torna-se sinal de autoconhecimento, afinal, você quer encontrar no outro gostos e características que na verdade são seus.
Acho que cada vez mais entendo o que Nelson Rodrigues queria dizer com: “Jovens, envelheçam”.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Por que eu voto Serra

Há quatro anos minha foto no perfil do Orkut tinha um avatar do Lula, e eu era voz uníssona nas dicussões com meus amigos nos bares de Copacabana, defendendo "o cara" (como botafoguense, eu já ganhei expertise em ser voz uníssona nas discussões de bar). Não me arrependo. Pelo contrário. Apesar de algumas lacunas que os oito anos de Governo de Lula deixaram, como na Educação, por exemplo, acho que o saldo deste período é extremamente positivo. Isso é reconhecido não só por mim, mas pela Imprensa internacional e por 80% da população brasileira.
Mas não consigo desassociar o que foi feito nestes últimos oito anos em relação à base que foi construída nos oito anos anteriores. Por isso, acho que apesar de diversas queixas, os últimos 16 anos foram extremamente produtivos para o país e FHC tem, sim, muitos méritos neste processo.
Mas dos quatro anos da minha campanha para o Lula no decadente site de relacionamento para hoje, eu revi meus conceitos, como prega a propaganda. Até por experiências próprias. Uma delas foi trabalhar num órgão público. E ver com meus próprios olhos como (não) funciona o Estado como administrador. Independente de teorias ou ideologias uma empresa que não tem a prerrogativa de demitir um funcionário não pode ser bem gerida. O Jabor tem um texto interessante que diz que uma empresa tem de ser administrada como o Seu Manoel administra a padaria dele. Se ele não tem demanda pra três padeiros, por que manter os três?
Portanto, eu não consigo mais engolir esse discurso do "Estado indutor da Economia". Tudo o que você precisa do Estado não funciona. As pessoas são acomodadas, porque o próprio sistema as propicia isso. Basta ir ao Detran ou ao cartório, ou conversar com alguém que tenha a União como chefe.
Não que eu seja contra a presença do Estado como distribuidor de renda, por exemplo. Eu acho o Bolsa-Família um excelente programa. Para isso, eu até trabalho quatro meses de graça. Mas daí a trabalhar para bancar os filmes panfletários do Sílvio Tendler?
Também sei que o Serra não é o liberal que se propala. Mas pelo menos não carrega a bandeira do "Estado mãe" como a Dilma.
Quatro anos depois, eu não vou pôr um avatar do Serra no meu Facebook, mas agora terei companhia nas minhas discussões de bar em Copacabana.
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