segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O domingo na segunda

Quis escrever este texto na segunda para que ele não fosse contaminado pelo ar de domingo, tema do texto que segue. A segunda-feira tem um ar mais racional e talvez seja melhor para analisar de fora esse dia tão idiossincrático. Os dias da semana são mais ou menos iguais. De segunda a quinta é tudo meio parecido, principalmente pra quem estuda ou trabalha. A sexta tem um quê de quinta e um pouco do sábado. Mas tem um dia da semana que não tem irmão, é filho único. Domingo é sui generis. Se domingo fosse uma cor seria cinza, se fosse um estado seria São Paulo (ou Brasília) e se fosse uma estação seria o Inverno. A sexta e o sábado representam a esperança do novo, da mudança. O domingo é a confirmação de que nada novo aconteceu, misturado com a rebordose destes dois outros dias. Ouvi uma vez que domingo é o dia em que há o maior número de suicídios. Depois, ouvi outra versão, de que na verdade este fatídico dia seria a segunda, porque as pessoas tomam a decisão de se matar no domingo, mas como domingo ninguém faz nada, deixam para a segunda. Domingo é de fato o dia da reflexão. Domingo é o dia em que as pessoas não atendem celular e que o analista não trabalha. Domingo é o dia em que a TV não contribui. Nem o Botafogo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O figuraça e o silêncio

Eu não sou uma figura. Dificilmente você irá ouvir alguém fazer referência a mim como: "Aquele moleque é uma figura" quiçá "figuraça". Tampouco irão caracterizar-me como ''daquelas pessoas que estão sempre de bem com a vida". A vida também nem sempre está de bem comigo. Eu sou péssimo contando piada. Acho que não sei nenhuma. Eu falo baixo. Possivelmente numa mesa de bar com cinco pessoas, estou entre a segunda e a terceira que menos falam. Talvez seja um misto de timidez com a real falta de vontade de participar do assunto, muitas vezes. Isso tudo já me incomodou. Eu achava o máximo o cara que chega e toma conta do pedaço, faz todo mundo rir. O "figuraça". Aquele cara que não deixa o silêncio no ar. Aí depois, eu passei a perceber que o "figuraça" também pode ser um cara inseguro. Que, muitas vezes, ele está falando o tempo todo num intuito de querer agradar. E essa coisa de puxar assunto o tempo todo me soa meio artificial. É o tal do super simpático. Hoje em dia, eu acho o "figuraça", na verdade, um espaçoso. Acho que isso está relacionado ao fato do ficar sozinho. Eu gosto. Sou filho único, já me acostumei. Eu prefiro subir sozinho no elevador. Quando eu sento no metrô, fico torcendo para aqueles velhinhos que gostam de puxar assunto não sentarem do meu lado. Eu curto atividades solitárias (além da estrela) como a leitura, um Ipod. Depois de um tempo eu aprendi uma coisa. Na verdade, eu li em algum canto: ''As melhores relações são aquelas em que o silêncio não incomoda''.
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